Resumo
A morte, cessação definitiva da vida, sempre foi um assunto evitado na cultura ocidental.1,2 A formação médica voltada para curar e não para cuidar traz a estes profissionais diante da morte, um sentimento de impotência e culpa, ainda mais difícil de ser aceita quando nos referimos à pacientes jovens.1 A equipe de enfermagem, por outro lado, treinada para os cuidados da criança ou neonato, mantém contato íntimo com estes, satisfazendo suas necessidades, o que os torna ainda mais vulneráveis à interação com o paciente e à incompreensão e melancolia perante a morte do mesmo. As explicações sobre a doença e os procedimentos realizados na criança trazem conforto e maior colaboração por parte das mesmas, contudo, o fato da equipe depender este tipo de cuidado, as vezes com diálogos lúdicos e criativos, levam a particularidades que fazem desta faixa etária um grupo capaz de criar relações afetivas com seus cuidadores, dificultando a elaboração do processo de morte para estes.14 Vale ressaltar que tanto a família quanto a equipe da UTI, que lidam diretamente com a morte precisam ser preparados para suportar a sobrecarga psicológica que o fim da vida acarreta em nossa cultura. Os profissionais de saúde cuja atividade laborativa se concentra nestes setores acabam desenvolvendo algum mecanismo de defesa para conseguir lidar diariamente com o sofrimento e a dor, ao mesmo tempo em que necessitam de acolher e compreender a família do pequeno paciente, transmitindo-lhe confiança. 3 3,4,7 Com o passar do tempo,preservando o aspecto emocional dos vários estímulos internos e externos, nos quais estes profissionais são submetidos a todo momento, a morte passa a ser vivenciada de maneira mais distante.4 O preparo destes trabalhadores para conviver com tais circunstâncias faz-se primordial, na medida em que previne ou reduz de forma considerável o desenvolvimento de distúrbios psicoemocionais.9 E até o extremo do estresse laboral crônico (Síndrome de Burnout).13 Reuniões periódicas com equipes multidisciplinares são aconselhadas para maior entendimento do processo enfermidade-morte, diminuindo as angústias relacionadas ao tema e amenizando os sentimentos de impotência e culpa.3 Outro fato importante a ser considerado é que o papel do psicológico é útil na conformação de ambas as esferas do cuidado, médico-família.5 A reação da notícia da morte à família está muito relacionada à forma como esta é passada pelo médico, aos parentes da vítima.5 O cuidado com a saúde psico-emocional das equipes que vivenciam estas condições hostis é na maioria das vezes negligenciada, tanto pelos seus empregadores quanto por elas mesmas. O foco está concentrado em atender aos pacientes, sendo relevante estudar sobre as possíveis influências das interações profissionais de saúde-pacientes com potencial de morte iminente no comportamento dos primeiros. Tendo em vista as evidencias supra-citadas o objetivo deste estudo foi verificar o comportamento em relação à morte infantil discriminado por cada área da saúde ligada diretamente aos cuidados com o paciente na UTI.