Resumo
Objetivo. Determinar por meio de revisão sistemática se a laparoscopia contribui para o diagnóstico da extensão do câncer ovariano, permitindo avaliar sua ressecabilidade, evitando assim uma avaliação laparotômica, permitindo que as pacientes iniciem precocemente a quimioterapia neoadjuvante seguindo com a cirurgia citorredutora adequadamente. Método. Foram analisados os estudos publicados tendo como referência as bases de dados eletrônicos: Cochrane, Pubmed e Sielo. Usando as palavras: laparoscopy, resectability, advanced ovarian câncer, cytoreduction. Pesquisamos estudos que utilizaram a laparoscopia, antes da laparotomia, para determinar a extensão e ressecabilidade da doença em mulheres com suspeita de câncer ovariano avançado, onde os achados laparoscópicos foram comparados no mesmo ato operatório com os achados laparotômicos. Resultados. Apenas 2 artigos preencheram os critérios de seleção. Foram 177 mulheres com suspeita de câncer ovariano avançado submetidas a laparoscopia e laparatomia subsequente para avaliação da ressecabilidade da doença. A especificidade da laparoscopia foi 1. Já a sensibilidade da laparoscopia nestes dois estudos foi de 0,71 (95% IC 0,44-0,90) e 0,70 (95% IC 0,57-0,82). Uma comparação entre avaliação laparotômica e laparoscópica, mostrando acurácia entre 77,3%, na doença intestinal, e 100% para carcinose peritoneal. O PVI (modelo de predição laparoscópico) > 8 correspondeu a doença irressecável. Conclusão. Apesar do modelo laparoscópico de predição parecer ser uma ferramenta confiável para evitar laparotomias exploratórias desnecessárias, até o presente momento não há dados conclusivos para sustentar que a laparoscopia pode diagnosticar a extensão da doença e avaliar sua possibilidade de ressecção. Mais estudos precisam ser realizados nesse sentido.