Resumo
OBJETIVO: Buscar detectar sinais de sofrimento psíquico em trabalhadores de enfermagem cuidadores de pacientes psiquiátricos e uma possível relação com o trabalho desempenhado, associado ao tempo de exercício na função, verificando a existência do apoio psicológico oferecido a tais profissionais. MÉTODO: Estudo de corte transversal, realizado junto a trinta profissionais de enfermagem de dois hospitais psiquiátricos em Juiz de Fora. Os dados foram coletados através de questionário individual, estruturado, composto por instrumento validado (SRQ-20) e treze perguntas formuladas pelos pesquisadores. A criação do banco de dados se deu através do programa Epi Info e a medida de associação entre variáveis pelo teste qui-quadrado. RESULTADOS: A média de idade dos trabalhadores de enfermagem foi de 40,5 anos variando de 24 a 69, sendo a maioria do sexo feminino (70%). Da totalidade, 60% trabalhavam diurnamente, 20% eram enfermeiros, 43,33% técnicos de enfermagem e 36,67% auxiliares de enfermagem. O tempo de trabalho com pacientes psiquiátricos variou de 3 a 456 meses. Dos participantes, 60% trabalhavam em dois ou mais empregos, 46,7% faziam uso de álcool, 33,3% eram fumantes, 30% se sentiam sobrecarregados no trabalho e 6,7% receberam apoio psicológico da instituição. A prevalência global de distúrbios psiquiátricos menores encontrada foi de 10%. CONCLUSÕES: Mesmo considerando as limitações inerentes ao estudo e a prevalência de distúrbios psiquiátricos menores na população alvo ter sido mais baixa que a hipótese anteriormente formulada, os resultados sugerem que idade maior que 36 anos, sexo feminino, trabalhar no turno diurno e em dois ou mais empregos, possuir um tempo de exercício na profissão maior que 151 meses, usar álcool, ter maior sobrecarga de trabalho e não receber apoio psicológico aumentam a probabilidade de sofrimento psíquico entre os trabalhadores de enfermagem em saúde mental.