Resumo
Introdução: A Terapia Nutricional Enteral (TNE) faz parte da rotina de cuidados ao paciente internado em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Embora pareça uma terapia simples, já que utiliza o trato digestório de forma mais fisiológica, a TNE também pode apresentar intercorrências sérias e de extrema gravidade nos pacientes críticos. Estas, geralmente, levam à interrupção da terapia nutricional, com prejuízo na infusão de energia e nutrientes para os pacientes em TNE. Objetivo: Caracterizar a população quanto aos aspectos demográficos, epidemológicos, clínicos e nutricionais, e verificar a incidência de complicações da TNE em pacientes críticos internados em Unidade de Terapia Intensiva. Materiais e Métodos: Estudo com 60 pacientes admitidos na UTI do Hospital Albert Sabin/Juiz de Fora/MG, no período de novembro de 2007 a abril de 2008. Utilizouse para coleta dos dados o protocolo de monitorização da TNE. Os pacientes foram caracterizados conforme o sexo, idade, diagnóstico clínico principal, escore de gravidade e estado nutricional. Além disso, verificou-se o tempo de internação na Unidade de Terapia Intensiva, o tempo de permanência em Terapia Nutricional Enteral, a via de acesso para administração da dieta, complicações gastrintestinais, complicações mecânicas e mortalidade. Os dados foram analisdos no software SPSS de forma descritiva. Variáveis quantitativas foram expressas como mediana e variação ou como média ± desvio padrão (DP), quando normalmente distribuídas. As varáveis qualitativas foram expressas em forma de porcentagem. Resultados: A maioria era do sexo feminino (55%), com idade média de de 72,92 ± 15,75 anos. A média de APACHE II de 18,13 ± 6,49 pontos. O diagnóstico primário de internação foi o de causas pulmonares (45%). A prevalência de eutrofia foi de 60%. A mediana do tempo de permanência na UTI e em TNE foram ambas de 13 dias. A principal via de acesso para administração da nutrição enteral foi a sonda nasoenteral em posição gástrica (90%). O percentual de pacientes que evoluiu para óbito na unidade foi de 61,7%. Entre as complicações da TNE, verificou-se maior ocorrência de diarréia (31,7%). Conclusão: A maior parte dos pacientes críticos que recebeu nutrição enteral foi idosa, com estado nutricional adequado, apesar de verificada uma prevalência significativa de desnutrição. O escore de gravidade dos doente foi alto, o que pode justificar a elevada mortalidade em nosso meio. A diarréia foi a complicação de maior ocorrência na UTI e apresentou incidência elevada. Sugere-se a adoção de indicadores de qualidade em TNE como estratégia para evitar e/ou minimizar as intercorrências relacionadas.